Eclâmpsia é definida pela manifestação de uma ou mais crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas e/ou coma, em gestante com hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia, na ausência de doenças neurológicas, ou seja, a mulher tem convulsões porque a pressão sobe muito e, em decorrência disso, os vasos sanguíneos da mãe se contraem, tornando-se estreitos, diminuindo o suprimento de sangue ao feto, à placenta, aos rins, ao fígado, aos olhos, ao cérebro e a outros órgãos da mulher. Essa é a principal causa de morte materna no Brasil atualmente
Pode ocorrer durante a gestação, na evolução do trabalho de parto e no puerpério imediato. Metade dos casos acontece em gestações pré-termo e 25% no puerpério tardio (mais de 48 horas) Raramente se manifesta antes da 20° semana de gestação. A eclâmpsia é comumente precedida pelos sinais e sintomas de eclâmpsia iminente, isto é, distúrbios do sistema nervoso central (cefaléia frontal/occipital, torpor, obnubilação e alterações do comportamento), visuais (escotomas, fosfenas, visão embaçada e até amaurose) e gástricos (náuseas, vômitos e dor no hipocôndrio direito ou no epigástrio).
A causa exata das convulsões não é conhecida. Entre as teorias propostas estão o vasoespasmo cerebral com isquemia local, a encefalopatia hipertensiva com hiperperfusão, o edema vasogênico e a lesão endotelial. Em gestante hipertensa, a ocorrência de crise convulsiva deve sempre ter como diagnóstico inicial a eclâmpsia. Caso o parto ainda não tenha ocorrido, este é realizado, pois sabe-se que a cura da eclampsia e pré-eclampsia só acontece quando se tira a placenta. Enquanto ela permanece no organismo materno, a tendência é sempre piorar o estado de saúde da mãe.
Quase 50% das pacientes com eclampsia têm também a síndrome HELLP.
Fatores de risco
Possuem maiores riscos de adquirir a doença as mulheres que engravidam mais velhas ou muito novas, que estão grávidas pela primeira vez, que têm histórico de diabetes, pressão alta, pré-eclampsia ou eclampsia, se há alguém na família que já teve a pré-eclampsia, e obesas. Porém, as mulheres que têm pressão normal e sem histórico também podem ser acometidas.
Tratamento
O medicamento usado em hipertenso com eclâmpsia é a hidralazina;
Controle dos ataques epiléticos com sulfato de magnésio intravenoso;
Anticonvulsivantes como os Benzodiazepínicos e a Fenil-hidantoína (Hidantal) também podem ser usados;
Medicamentos hipotensores como a hidralazina e a nifedipina poderão ser usados para corrigir a hipertensão arterial;
Indução do parto tão logo os ataques epiléticos forem controlados e a pressão sanguínea da mãe se estabilize;
Antibióticos podem ser recomendados pelo risco de infecção pulmonar e pela possibilidade da paciente ficar inconsciente e respirando por aparelho por longos períodos;
Não há nenhum modo de se prevenir a eclampsia. Se não existem métodos eficazes de prevenção, as complicações da eclampsia podem ser evitadas. Isto se dá quando se reconhece no pré-natal bem conduzido, as gestantes de risco (primeira gestação, hipertensas crônicas, pré-eclampsia ou eclampsia em outra gravidez, diabéticas com problemas vasculares ou gravidez múltipla). Acredita-se que mulheres que recebem tratamento pré-natal são sete vezes menos prováveis de morrer com a doença, que mulheres que não tomaram este cuidado durante a gravidez. O acompanhamento pré-natal é crucial na prevenção das complicações e mortes de mães e fetos.
A síndrome HELLP caracteriza-se pela associação de plaquetopenia, aumento das enzimas hepáticas e presença de hemólise em paciente gestante. O acrônimo foi cunhado por Wenstein em 1982 e representa as iniciais das alterações laboratoriais na língua inglesa (Hemolysis; Elevated Liver enzimes; Low Platelets). Até seu reconhecimento como entidade especifica, essa síndrome era frequentemente confundida com quadros de hepatite ou colecistite, levando os retardos no tratamento que culminavam em desfecho desfavorável para a gestante e o feto. A HELLP é a sigla usada para descrever a condição de paciente com pré-eclâmpsia grave que apresenta hemólise (H), níveis elevados de enzimas hepáticas (EL) e contagem baixa de plaquetas (LP).
Apesar de poder ocorrer isolada, a síndrome de HELLP geralmente aparece como complicação da pré-eclâmpsia, podendo ser reconhecida em 4% a 12% das gestantes pré-eclâmpticas. Ambas as condições podem aparecer na gravidez ou as vezes após o parto.
Embora qualquer gestante possa contrair a síndrome de HELLP, alguma correm maior risco, incluindo aquelas que: são brancas, têm mais de 25 anos de idade, já deram à luz anteriormente, têm problemas na pressão sangüínea, como pressão alta, pré-eclâmpsia ou eclampsia, já tiveram problemas de HELLP, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia em gestações anteriores.
A síndrome HELLP é o achado extremo do espectro de alterações que ocorrem na hipertensão induzida pela gestação/pré-eclâmpsia e como seus sinais e sintomas são confundidos com os da pré-eclâmpsia grave (dor epigástrica ou no quadrante superior direito, náusea e mal estar), as formas leves podem passar despercebidas se não é feita à correta avaliação laboratorial.
Diagnóstico
Assim, o diagnóstico é feito apenas quando a síndrome HELLP está bastante avançada. Essa síndrome se acompanha de aumento da morbidade e mortalidade maternas e perinatais. A morbidade e mortalidade maternas são dependentes da gravidade da doença, ao passo que a morbidade e mortalidade perinatais dependem mais da idade gestacional. Enquanto em centros de cuidados terciários a mortalidade materna é de apenas
Se o médico suspeitar da síndrome, ele irá pedir um hemograma completo, a fim de detectar sinais de anemia hemolítica e verificar a contagem plaquetária. Ele também pedirá testes da função hepática para detectar enzimas específicas que indicam danos aos rins, e também pode solicitar estudos sobre a coagulação sangüínea. Várias outras doenças envolvendo anormalidades na coagulação e nos vasos sangüíneos podem ser confundidas com a síndrome de HELLP, incluindo: lúpus eritematoso sistêmico; fígado gorduroso agudo da gestação; púrpura trombocitopênica trombótica e outras doenças vasculares do colágeno.
Sintomas
Os sintomas incluem fadiga, mal-estar generalizado, dor na parte superior direita do abdome, náuseas, vômitos, dor de cabeça e retenção de líquidos acompanhada por ganho de peso. Algumas mulheres também têm convulsões. Dado que a maioria desses sintomas é comum em gestações normais e se assemelha aos sintomas de outras doenças, como a gripe, a síndrome de HELLP é difícil de diagnosticar. Informe imediatamente seu médico sobre qualquer convulsão, dor abdominal ou sintomas semelhantes aos da gripe.
Tratamento
O tratamento de primeira linha é realizar o parto o mais rápido possível. O médico pode induzir o trabalho de parto (com ou sem o uso de agentes de amadurecimento cervical) ou programar uma cesariana antecipada. Se a paciente estiver com menos de 32 semanas de gestação e os sintomas não forem severos, o médico pode optar por uma abordagem conservadora: repouso absoluto, ingestão de líquidos e monitorização cuidadosa. Isso dá ao feto tempo para amadurecer. O médico poder administrar medicamentos para controlar ou prevenir complicações como pressão sangüínea alta ou convulsões. Se a anemia ou os problemas de sangramento forem severos, o médico pode administrar uma transfusão de sangue. Ele também pode usar cortiscosteróides para ajudar os pulmões do bebê a se desenvolver mais rápido, preparando-o para o parto prematuro.
Prevenção
A síndrome de HELLP não pode ser prevenida, mas a detecção precoce aumenta as chances de sobrevivência da mãe e do bebê. Esse é o motivo pelo qual a gestante deve informar o médico imediatamente sobre qualquer convulsão, dor abdominal ou sintomas semelhantes aos da gripe.
Algumas pesquisas, indicaram que o uso de uma terapia de baixa dose de aspirina, ou de suplementação de cálcio em mulheres com nutrição inadequada reduziu a incidência de pré-eclâmpsia, e, conseqüentemente, a incidência de HELLP, mas tais terapias ainda não são consideradas padrão.
Tipos
Essas classificações designam a severidade da doença. O Tipo I é o mais severo e traz mais riscos de complicações. A HELLP Tipo II é menos grave, e o Tipo III é o mais brando. Alguns médicos usam os termos "parcial" e "total" para classificar a HELLP. Com a síndrome de HELLP parcial, ocorrem apenas algumas condições; com a HELLP total, as três - (H) hemólise, (EL) enzimas hepáticas elevadas e (LP) baixa contagem de plaquetas - estão presentes.
Como a HELLP irá afetar meu bebê?
Seu bebê pode apresentar complicações relacionadas à prematuridade, como a síndrome da angústia respiratória. Ele pode ter que ficar em uma unidade de cuidados intensivos neonatais, onde poderá ser monitorizado atentamente à medida que continua a se desenvolver. A HELLP tem menos probabilidade de prejudicar o feto se você estiver perto de 37 semanas e os resultados laboratoriais estiverem próximos do normal. Se houver descolamento prematuro da placenta, o bebê está com falta de oxigênio e pode sofrer de asfixia.
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